Coronavírus: só 60 dos 853 municípios mineiros estão livres de casos da doença, que já fez 113 mil pacientes | Minas Gerais


  • Conheça as histórias de algumas vítimas do coronavírus em Minas.

Dos 853 municípios mineiros, 793 já tiveram ao menos um caso do novo coronavírus – o que representa mais de 92% do total de cidades no estado. Ou seja, apenas 60 cidades de Minas estão livres da doença. Ao todo, 375 municípios já tiveram ao menos uma morte decorrente da Covid-19.

  • Acesse a lista completa de municípios e a quantidade de casos confirmados em cada um deles.

Distribuição dos casos de Covid-19 em Minas no dia 27/7. — Foto: SES-MG

Esses dados estão no boletim epidemiológico do governo do estado nesta segunda-feira (27).

Ainda segundo os dados do governo, 84.335 pacientes se recuperaram da doença no estado.

Desse total de pacientes diagnosticados com a Covid-19, 13.439 tiveram que ser internados na rede pública ou privada e 100.279 ficaram em isolamento domiciliar. Em 2020, houve 36.056 internações por síndrome respiratória aguda grave (na qual se inclui a Covid-19), 1.147% a mais em relação ao mesmo período de 2019.

Na rede pública, 68.828 pessoas foram testadas para saber se estavam com Covid-19.

Rostos e histórias por trás dos números: algumas vítimas do novo coronavírus em Minas Gerais. — Foto: Arquivo pessoal

O município com mais casos da doença é Belo Horizonte, com 17.237, com 459 mortes. Em seguida, aparecem Uberlândia (12.068), Ipatinga (5.247), Governador Valadares (3.605) e Juiz de Fora (3.305).

O município com mais mortes até agora foi Belo Horizonte, com 459. Em seguida, Uberlândia, no Triângulo Mineiro, com 197 óbitos, Juiz de Fora, na Zona da Mata, com 97, Ipatinga, com 85, e Governador Valadares, com 84.

Na manhã desta segunda-feira (27), a taxa de ocupação dos leitos de UTI está em 67%, referente ao dia 25. Na região central do estado, chega a 78%. São 3.655 leitos de UTI públicos.

Já a taxa de ocupação dos leitos de enfermaria em Minas está em 57%. São 20.711 leitos de enfermaria. Na região central, a taxa chega a 70%.

A maioria dos pacientes que morreu em decorrência do novo coronavírus é homem: 58% do total. E idosos: 76% têm mais de 60 anos. 35% são de cor branca e 38% de cor parda. Além disso, 83% dos óbitos ocorreram em pacientes que já tinham fatores de risco, principalmente doença cardiovascular, hipertensão e diabetes.

Outros fatores de risco registrados foram pneumopatia, doença renal, transtornos mentais, doença neurológica, tabagismo, neoplasia, hipotireoidismo e doença genitourinária.

No início da pandemia, a Secretaria de Estado da Saúde (SES-MG) informava qual era a comorbidade de cada paciente que havia morrido com a Covid-19. Em abril, no entanto, a pasta parou de informar. Questionada, a SES disse que, pela “possibilidade de ocorrência em municípios de pequeno porte”, “os pacientes podem ser facilmente identificados, quando descritas características específicas”. “Assim sendo, no intuito de mantermos a confidencialidade das informações fornecidas pelos pacientes e/ou familiares, passamos a não mais divulgar o descritivo detalhado de informações por paciente”.

Conheça a seguir as histórias de alguns desses pacientes que não resistiram ao coronavírus em Minas:

O primeiro teste de Covid-19 que o aposentado fez deu negativo. Sr. Paulo Roberto morreu no último sábado (13). — Foto: Arquivo pessoal

Paulo Roberto Dias Câmpara tinha 75 anos e era pai de três filhos. Ele falava três idiomas, adorava tocar instrumento de corda e participou de várias apresentações musicais. Para completar a renda da família, trabalhava como vendedor ambulante empurrando um carrinho de picolé pelas ruas do Bairro Santa Cruz, na Região Nordeste de Belo Horizonte.

Fumante, no dia 3 de junho ele deu entrada na UPA Noroeste com quadro de enfizema pulmonar e pneumonia. De acordo com a família, o aposentado chegou a fazer um teste para a COVID-19 mas o primeiro resultado deu negativo. Com a piora do quadro, ele precisou ser levado para o Hospital Odilon Behrens. A filha mais velha, Samira Diniz Câmpara, fez companhia para o pai durante a internação.

No Hospital Odilon Behrens, o quadro de saúde de Paulo Robertou pirou. Um segundo exame feito na unidade de saúde atestou a presença do coronavírus. Mas o aposentado não resistiu. Morreu no sábado, dia 13 de junho, em decorrência de uma parada cardíaca.

Samira tinha 40 anos e trabalhava como cabeleireira. Ela morreu no último dia 17. — Foto: Arquivo pessoal

Três dias antes da morte do pai, Samira já estava internada no Hospital Eduardo de Menezes, que é referência no atendimento à pacientes com a Covid-19.

“O quadro dela só piorou, dia após dia, foram oito dias de internação. De uma hora para outra ela ficou muito mal. Assim que fizeram o teste para Covid-19, o resultado foi positivo”, disse o cunhado Ítalo de Jesus.

Samira morreu quarta-feira, 17 de junho. Tinha 40 anos e trabalhava como cabeleireira. Era conhecida no bairro pelo talento que tinha para trabalhar com estética e beleza. Deixa um filho de 11 anos: “Ela cuidou do pai e nem se despediu dele”, lamenta Ítalo.

Três parentes mortos em uma semana

“Foi muito forte o que aconteceu. Na quinta enterrei meu avô, na terça o meu tio e na quarta a minha tia”, disse ele.

Juarez, avô de Maicon, morreu aos 83 anos — Foto: Arquivo pessoal/Divulgação

O avô de Maicon, Juarez, tinha 83 anos e, segundo a família, uma saúde de ferro. “Há 20 dias nós estávamos brigando com meu avô para ele descer de uma árvore”, contou o neto.

O casal de tios, Álvaro, de 58 anos, e Marluce, de 55 anos, eram pastores evangélicos.

O casal Álvaro e Marluce morreu de Covid-19 em Betim — Foto: Arquivo pessoal/Divulgação

“Faziam um trabalho muito forte dentro do bairro Citrolândia que é não só em cuidar das pessoas dentro da igreja, mas sim, muitas das vezes, de levar um alimento, de zelar pelas pessoas. Esse é o legado maior que eles nos deixaram. De amar as pessoas”, disse Maicon.

‘Via-crúcis’ para conseguir atendimento

Marli e o filho, Thiago — Foto: Arquivo pessoal

A informação foi confirmada à reportagem pelo filho, Tiago Araújo, de 18 anos. Antes de conseguir o leito, Marli estava internada na UPA Justinópolis, de Ribeirão das Neves.

A Prefeitura de Ribeirão das Neves confirmou que o resultado do exame de Marli foi positivo para a Covid-19.

No dia 14 de julho, o sr. Marinho também morreu por causa da doença, aos 78 anos.

“Meu sentimento é de impotência, o mesmo que senti quando perdi a minha mãe. Impotência de buscar pelos nossos direitos e ainda perder minha mãe e meu avô. O Brasil não investe nem na saúde, nem na educação. A gente sente que tem muito déficit”, desabafou o jovem Tiago.

Marinho Lúcio de Araújo, de 78 anos, morreu de Covid-19 cinco dias depois da filha. — Foto: Arquivo pessoal

O capitão Ivanir Clementino de Brito morreu de Covid-19 no dia 14 de julho. — Foto: Reprodução / Facebook

Ele ficou internado por cerca de 15 dias em estado grave, em um hospital particular de Uberlândia, mas teve complicações e morreu durante a manhã.

A polícia também informou que é a primeira morte de um militar em serviço da 9ª RPM, que abrange 18 cidades do Triângulo Mineiro e a segunda de Minas Gerais, conforme nota enviada pelo comando da PM no estado.

Na nota, a polícia lamentou o falecimento e informou que toda assistência à família está sendo prestada. “Mais um herói que honrou a sua farda e cumpriu sua missão no bom combate em defesa da sociedade mineira”.

Morador de rua vítima da Covid-19

“Me ligaram da Santa Casa para me avisar que ele tinha sido internado com Covid-19. A minha ficha não caiu, sabe? Ainda não chorei direito”, disse Valter, irmão mais velho de Adilson.

Os irmãos perderam os pais e os avós muito cedo. “Adilson era brincalhão, inteligente, prestativo, chorão (risos). A vida foi muito ruim com ele. Ele foi para o caminho errado. Sofreu demais, sofreu demais”, lamentou.

Única foto de Adilson Goulart que morreu de Covid-19 aos 38 anos — Foto: Valter Goulart/Arquivo pessoal

Após a morte do irmão, Valter começou uma peregrinação para conseguir sepultar o irmão.

“Ele não tinha documentos. Até eu achar a certidão de nascimento dele demorou muito. Aí o corpo foi levado para o IML. Para liberar eu tinha que identificar. Muito triste ver meu irmão daquele jeito. Sem roupa, envelhecido”, contou.

Quando estava internado, a preocupação de Adilson era o cachorro que vivia com ele. “Os companheiros dele de rua ficaram tomando conta”, disse Valter.

Casal morre com dez dias de diferença

Antônio Borges dos Santos, de 95 anos, e Luiza Francisca Pereira, de 89 anos, costumavam tomar sol juntos na varanda de casa em Rio Manso, cidade com pouco mais de cinco mil habitantes, na Região Central de Minas Gerais.

Antônio e Luiza morreram com dez dias de diferença — Foto: Arquivo pessoal

“Quando minha avó soube da morte do meu avô disse que não ia conseguir viver sem ele. Aí ela piorou muito”, disse Lívia Luiza de Oliveira Borges, neta do casal.

Os dois tiveram 13 filhos, dois deles faleceram. Deixaram 30 netos, 33 bisnetos e cinco tataranetos.

“Estavam sempre juntinhos e abraçados. Não podiam ver que estávamos vigiando que rapidinho paravam de abraçar. Foi bem difícil perder os dois em tão pouco tempo”, disse Lívia.

Primeiras mortes em Minas

No dia da morte de Marlene, sua nora fez um desabafo emocionado em uma rede social:

“Gostaria imensamente que os governantes fossem mais respeitosos com cada vida ceifada e sufocada pelo coronavírus. Sr. Ministro Mandetta se mantenha técnico e firme, não se deixe abater por ignorância. Mais amor e mais empatia”, escreveu ela.

Morte de Marlene foi confirmada pelo médico do Biocor — Foto: Reprodução Redes Sociais

O segundo morador de Belo Horizonte que morreu com exame positivo para a Covid-19 foi o Darcy Gomes Parreiras, de 66 anos, que estava internado no Hospital Semper e morreu três dias depois de dar entrada, em 30 de março. Ele tinha cardiopatia e diabetes mielitus.

Darcy Gomes Parreiras — Foto: Arquivo pessoal

Irmã Jandira, como era conhecida, realizava trabalhos na Casa da Criança de Paraisópolis. Ela recebeu homenagens da instituição no dia da morte. O perfil oficial do Instituto das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora de Fátima também homenageou a religiosa quando a morte completou o sétimo dia.

Irmã Jandira, de Paraisópolis (MG), deve morte confirmada por coronavírus pela prefeitura — Foto: Divulgação/Casa da Criança

A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) e o Departamento Penitenciário de Minas Gerais (Depen-MG) confirmaram, no dia 30 de junho, a morte de um detento do Ceresp Gameleira, Região Oeste de Belo Horizonte. Ele cumpria prisão temporária, tinha 77 anos e não possuía comorbidades.

Ceresp Gameleira, em Belo Horizonte — Foto: Reprodução / TV Globo

Em nota, informaram que Pedro Vitoriano de Souza, custodiado da unidade, havia sido preso no dia 9 de junho e, dez dias depois, apresentou quadro de coriza e tosse seca. Ele estava em uma das 30 unidades do sistema prisional criadas como porta de entrada, com a função de triagem de presos recém-admitidos do extramuros, para cumprimento de quarentena, antes do encaminhamento para os demais presídios.

Com sintomas gripais e atendido pela área de saúde da unidade, Pedro foi isolado e acompanhado por quatro dias quando, com a piora no quadro, foi encaminhado para a Upa Oeste, no dia 24, onde foi colhido exame PCR. No dia seguinte, o detento foi encaminhado para o Hospital Júlia Kubischek, onde morreu no dia 28 de junho, com causa confirmada para a Covid-19.

Mortes que demoram a ser confirmadas

Como o G1 mostrou em 19 de maio, houve casos de demora de até 42 dias para uma morte por coronavírus ser divulgada pelo governo do estado.

Gilberto Loiola e Carina Loiola. — Foto: Arquivo pessoal

O senhor Gilberto gostava de viajar e sua última viagem foi um cruzeiro até o Caribe, com a sua esposa e com os sogros da filha Carina Loiola, no começo março. Naquela época, a família acreditava que a doença estava longe, como afirma a filha dele, que, além do pai, também perdeu o sogro com a Covid-19.

“Nós acreditávamos na doença, mas como os números ainda eram baixos no Brasil, principalmente na nossa região, a gente achava que estava longe”.

O casal chegou de viagem no dia 15 de março e no dia 18, Gilberto começou a sentir alguns sintomas leves, como febre baixa e foi para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Poços de Caldas, mas os médicos falaram para voltar para casa.

Carina também perdeu o sogro, Nilton Augusto Flores, para a doença. Ele viajou no mesmo cruzeiro que o Gilberto e foi internado no dia 27 de março.

“Nós sabíamos do coronavírus, mas quando eles foram viajar, ainda não tinha muitos casos da doença no Brasil e o local para onde eles iriam não tinha nada. A operadora do cruzeiro prometeu que iria haver fiscalização. Então ficamos mais seguros”, relatou Carina.

Nilton Augusto Flores também morava em poços de Caldas. — Foto: Arquivo pessoal

Pacientes sem nenhuma comorbidade

Outro paciente que não tinha qualquer comorbidade ou doença prévia era um morador de 72 anos da cidade de Ouro Fino, no Sul de Minas. Ele teve início de sintomas, com febre, no dia 21 de março. Foi internado no dia 24 e morreu no dia 31 de março. O exame confirmando que ele estava com a Covid-19 saiu neste domingo, 5 de abril.

Segundo a assessoria da Prefeitura de Ouro Fino, João Batista Bueno filho morava na zona rural e apresentou os sintomas após uma viagem de cruzeiro no Ceará, onde estava com a esposa.

Prefeitura de Ouro Fino confirma que homem de 72 anos morreu por Covid-19 — Foto: Reprodução EPTV

Marta disse que o irmão nunca teve problemas de saúde. Segundo ela, José partiu no melhor momento da vida. Tinha conquistado o sonho da casa própria há dois meses e estava aprendendo a dirigir.

Pedreiro José de Oliveira Souza morreu de Covid-19 — Foto: Arquico pessoal/Divulgação

“Ele era tão bom que até o defeito dele se torna saudade”, emociona-se a irmã.

Dizia que doença era ‘coisa da mídia’

“Infelizmente, meu pai não levou isso a sério, ele dizia que era coisa da mídia. Quando resolveu viajar, eu o alertei para não ir e mesmo sabendo dos riscos, ele foi porque não acreditava na doença. Meu pai era 100% saudável, não tinha problema de saúde e tinha feito um check-up recentemente”, afirmou o filho do paciente.

Na madrugada do dia 17, Cláudio Ricardo começou a sentir os primeiros sintomas da doença. O idoso foi internado no hospital Aroldo Tourinho no dia 27 de março e entubado dois dias depois. Ele morreu no dia 1º de abril. Sua família está em isolamento e sendo monitorada.

Cláudio Manoel Ricardo estava internado no Hospital Aroldo Tourinho — Foto: Arquivo pessoal

Acreditava na doença e se cuidava

“Ele acreditava na doença por tudo que via na televisão, praticamente não saía, usava máscara e não recebia visitas”, conta o filho.

Joaquim tinha 75 anos e morava na zona rural de Espinosa — Foto: Luís Paulo Ponte / Arquivo Pessoal

Joaquim foi internado em maio em Espinosa, com diagnóstico de infecção urinária grave e sem suspeita de Covid-19. Inicialmente, ele se queixava de fraqueza. Luis e a irmã se revezam como acompanhantes no hospital.

Como houve piora do quadro, o pai deles foi transferido para uma unidade de saúde em Janaúba (MG).

“Ele pediu para que eu ligasse para minha mãe e falou com ela que ia, mas voltava logo”, fala o filho.

Como já estava com o pai em Espinosa, Luis foi junto para o segundo hospital e permaneceu no mesmo quarto que ele. “Morreu nos braços”, emociona-se ao lembrar.

Durante a internação Joaquim teve febre e precisou de oxigênio para respirar. Ele tinha asma e bronquite desde 1993.

Logo após o falecimento, o filho foi informado que o pai tinha testado positivo para coronavírus, por meio de um teste rápido. Por se tratar de óbito, foi feita uma investigação e a confirmação da Covid-19 foi divulgada em junho pela prefeitura.

Os familiares ficaram isolados e não foram submetidos a exames por não apresentarem sintomas. Joaquim deixa 20 filhos, 40 netos e cinco bisnetos.

Gerônimo morreu na madrugada deste domingo (26). — Foto: Redes Sociais/Reprodução

Descrito por colegas da UPA Barreiro como uma pessoa leve e divertida, ele foi diagnosticado com Covid-19 três semanas antes, e internado no Hospital Júlia Kubitschek.

De acordo com Ilda Alexandrino, vice-presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Belo Horizonte (Sindbel), Gerônimo pode ter sido infectado durante um plantão de domingo, no qual deu assistência a oito pacientes contaminados na UPA Barreiro, enquanto a unidade só tinha dois respiradores disponíveis. Para ela, a morte dele chama atenção para a situação precária em que os profissionais da linha de frente têm trabalhado.

A Secretaria Municipal de Saúde de BH emitiu uma nota de pesar pelo seu falecimento.

Uma profissional de enfermagem de 53 anos que atuava no Hospital Alberto Cavalcanti, de Belo Horizonte, e também na Unidade de Pronto Atendimento Ressaca, em Contagem, na Região Metropolitana, morreu no dia 20 de abril. Ela estava internada no Hospital Municipal de Contagem, após contrair o coronavírus. A informação foi confirmada pela Prefeitura da cidade no dia 20, mas o óbito só entrou no balanço oficial do governo no dia 25 de abril.

Técnica de enfermagem foi a primeira vítima da Covid-19, em Contagem